22 Agosto

Maria Bethania – Maria [1988]

Alberto Villas

Simplesmente Maria

Maria Bethânia convida o grupo sul-africano Lady Smith Black Mambazo, a francesa Jeanne Moreau e a baiana Gal Costa para participarem de Maria e grava o melhor LP de sua carreira.

Maria Bethânia já foi mulher amada, idolatrada. Bethânia dos anos 60 era Beta, descalça, cantando Carcará. Pegava, matava e comia. Era o seu protesto, sua força teatral, seu grito de guerra. Sua explosão Brasil inteiro. Depois de Carcará, as músicas de Bethânia não mais tocavam no rádio. Ela virou assim uma espécie de coisa chique, elite estudantil. Seus primeiros discos, alguns muito bons – antológicos mesmo –, eram comprados por poucos. E eram muito curtidos. Esse era o termo da época. Bethânia carregava consigo a força da mulher, da Bahia. Era o teatro em carne e osso.

Assim foi na década de 70, também. Menos flagelo e mais hippie, cheia de colares a balangandãs, Bethânia fez shows belíssimos Brasil afora. shows que viraram discos. Música e poesia. Mistura de Fernando Pessoa e Batatinha. Rosa dos Ventos e A Cena Muda, dois simples exemplos. Veio a década dos 80. Bethânia diminuiu o peso dos balangandãs e mergulhou no bolero, talvez uma paixão. Certamente um tesão. E passou a tocar no rádio. A tocar mais diretamente nos corações do grande público. Assim vinha sendo Bethânia desde o finalzinho dos anos 70. Até que chegou Dezembros, seu LP do ano passado, o primeiro pela BMG/Ariola, mais conhecida como RCA. Dezembros já trazia certos apuros, repertório mais bem escolhido, um disco mais caprichado. Comparando com seus discos boleros desses últimos anos.

Na semana que vem estará chegando às lojas a versão 88 de Maria Bethânia, uma das maiores cantoras do Brasil. O LP chama-se simplesmente Maria. É o 26° disco de sua carreira e, sem exageros, o melhor, o mais equilibrado. Surpresas, muitas. Se o grito de guerra – A Terra Tremeu – que abre Maria não espantar seus fãs, já que é marca registrada de Bethânia, a novidade pinta na segunda faixa: Ofá, de Roberto Mendes e J. Velloso, com participação especial do grupo sul-africano Lady Smith Black Mambazo. O mesmo que participou do LP Graceland, de Paul Simon, e está disponível num LP lindíssimo, lançado no final do ano passado pela WEA. Ninguém esperava por essa. Lady Smith & Bethânia é pura emoção. Força e raça. Política e poesia.

Maria Bethânia conseguiu fazer um disco com 13 canções, todas, absolutamente todas, impecáveis. Maria segue com o lamento Recado Falado, de Alceu Valença, num arranjo belíssimo de Jaime Alem, que brilha nos arranjos de quase todas as faixas. Tudo é muito bonito. Como muito bonito é o surpreendente samba de Joyce, Mulheres do Brasil: É Joyce mostrando que é bamba no samba, com surdo, pandeiro, tantã, repique e tamborim. Tudo a que um bom samba tem direito.

Do irmão Caetano, Bethânia buscou Onde Andarás, do LP tropicalista de 20 anos atrás. Deu um clima mais jazz à música, que, na época (1968), quebrava os acordes dissonantes com guitarras, toque tropicalista do LP de Caetano. Bethânia gravou Tá Combinado, que já toca nas rádios e tanto sucesso fez no show de Caetano. A música foi feita depois do LP Caetano gravado e acabou ficando fora. Era uma das músicas preferidas do público: “Então tá combinado, é quase nada / É tudo somente sexo a amizade / Não tem nenhum engano nem mistério / É tudo só brincadeira e verdade”.

Gravou também a inédita Eu e Água, curtição poética de Caetano: “A água arrepiada pelo vento / A água e seu cochicho / A água e seu rugido / A água e seu silêncio”. De Caetano gravou também Noite de Cristal e O Ciúme. Bethânia canta com Gal, uma versão absolutamente surpreendente de O Ciúme, uma das obras-primas de Caetano. O arranjo de Benoit Carboz, pleno de sintetizadores, é bonito demais”.

Bethânia não deixou de fora sua porção bolero. Eu Sou a Outra é o momento mais Bethânia de Maria. Dessas músicas que ela busca lá no fundo do baú: “Mas tenho muito mais classe / Do que quem não soube prender o marido”. Maria não fica por aqui. Tem também Verdades e Mentiras, de Jaime Alem, e uma participação muito especial de Jeanne Moreau, recitando o emocionante poema Aux Yeux de la Bien Aimée: “Ma bien aimée quels yeux tes yeux / Embarcaderes la nuit, bruissant de mille adieux”. E, para terminar, que tal um velho sucesso de carnaval? Bandeira Branca, de Laércio Alves e Max Nunes. “Saudade, mal de amor, de amor / Saudade, do que dói demais / Vem, meu amor / Bandeira branca eu peço paz”.

Quando você passar numa loja de discos e vir um LP com uma foto em preto a branco na capa, uma negra do Nairobi estendendo a mão, pode comprar. Estará levando para casa o melhor disco de Maria Bethânia. Repito: sem exageros.

Extraia o sumo: Maria Bethania – Maria [1988]

Faixas:
1 A terra treme [Sacramento]
(Jota Velloso – Roberto Mendes)
Participação: Lady Smith Black Mambazo
2 Recado falado
(Alceu Valença)
3 Verdades e mentiras
(Jaime Além)
4 Mulheres do Brasil
(Joyce)
5 Poema dos olhos da amada
(Vinicius de Moraes – Paulo Soledade)
Participação: Jeanne Moureau
6 Tá combinado
(Caetano Veloso)
7 Eu e água
(Caetano Veloso)
8 O que os olhos não vêem
(Luiz Bandeira)
• Eu sou a outra (Ricardo Galeno)
9 Onde andarás
(Ferreira Gullar – Caetano Veloso)
10 O ciúme
(Caetano Veloso)
Participação: Gal Costa
11 Noite de cristal
(Caetano Veloso)
• Bandeira branca (Max Nunes-Laércio Alves)

Mutantes – Tudo Foi Feito Pelo Sol [1974]

Conjunto formado em São Paulo nos anos 60, passou por diversas formações e teve vários nomes (Wooden Faces, Six Sided Rockers, O Conjunto, O’Seis) até se consolidar como o trio Os Mutantes, em 1966, em um programa de televisão: Rita Lee, Arnaldo Baptista, Sérgio Dias. No ano seguinte, conseguiram o segundo lugar no festival da Record acompanhando Gilberto Gil em “Domingo no Parque”. Em 1968 gravaram o clássico LP “Tropicália ou Panis et Circensis” na companhia de Gil, Caetano, Gal, Tom Zé e Nara Leão. No mesmo ano sai o primeiro LP só dos Mutantes, com os sucessos “Bat Macumba” (Gil), “Panis et Circensis” e “A Minha Menina” (Jorge Ben Jor). Os Mutantes se consagraram como um grupo musicalmente criativo e com uma postura de deboche e irreverência. Apresentaram-se na França em 1969 e lançaram o segundo disco. Participaram de outros festivais, acompanhando Caetano Veloso em 1968 com “É Proibido Proibir” e atuando sozinhos com “Dom Quixote” e “2001” e em 1970 com “Ando Meio Desligado”. O histórico show “Planeta dos Mutantes”, realizado em 1969 no Teatro Casa Grande, no Rio, consagrou o grupo na cena roqueira inovadora da música brasileira. Em 1972 lançaram “Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets”, com um dos maiores sucessos da carreira, a “Balada do Louco”. No fim desse ano o grupo se desfez e voltou depois em mais de uma ocasião com formações diferentes, que incluíram Liminha, Antônio Pedro Medeiros, Rui Mota, Dinho, Manito, Túlio. Rita Lee seguiu uma bem-sucedida carreira solo como roqueira e Os Mutantes viraram história, contando inclusive com um disco-tributo, “Triângulo sem Bermudas”, gravado em 1996. Em 2000 a Universal lançou “Tecnicolor”, um disco gravado em 1970 em Paris, com versões em inglês para “Ando Meio Desligado” (“I Feel a Little Spaced Out”), “Panis et Circensis”, “A Minha Menina” (“She’s My Shoo Shoo”).

Extraia o sumo: Mutantes – Tudo foi feito pelo sol [1974]

Faixas:
1 Deixe entrar um pouco d’água no quintal
(Liminha – Sergio Dias – Ruy Motta)
2 Pitágoras
(Tulio Mourão)
3 Desanuviar
(Liminha – Sergio Dias)
4 Eu só penso em te ajudar
(Liminha – Sergio Dias)
5 Cidadão terra
(Liminha – Sergio Dias)
6 O contrário de nada é nada
(Tulio Mourão – Sergio Dias)
7 Tudo foi feito pelo sol
(Sergio Dias)

Rita Lee – Zona Zen [1988]


Extraia o sumo: Rita Lee – Zona Zen [1988]

Faixas:
1 Nunca fui santa
(Rita Lee)
2 Independência e vida
(Rita Lee)
3 Livre outra vez
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
4 Sem endereço (Memphis, Tennessee)
(Berry)
5 Zona Zen
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
6 Cruela Cruel
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
7 Cecy bom (C’est si bon)
(H.Betti – A.Hornez)
8 Maná mané
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)

Rita Lee – Bombom (1983)



Extraia o sumo: Rita Lee – Bombom (1983)

Faixas:
1 On the rocks
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
2 Desculpe o auê
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
3 Tentação do céu
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
4 Fissura
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
5 Degustação
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
6 Arrombou o cofre
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
7 Menino
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
8 Strip tease
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
9 Raio X
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
10 Bobos da corte
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
11 Piraruçu
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)
12 Yoko Ono
(Roberto de Carvalho – Rita Lee)

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Quando a inspiração lhe acena,
o bom trovador se expande.
Numa Trova tão pequena,
faz um poema tão grande!
(Ademar Macedo – Natal/RN)

Marcio Greyck – 20 Super Sucessos


Márcio Greyck é dono de uma das carreiras de maior sucesso no cenário artístico brasileiro como cantor e compositor. Mineiro de Belo Horizonte, onde passou sua infância e adolescência apurando o seu romantismo através das serenatas que fazia embaixo das janelas de suas primeiras fãs. Foi na Polydor, em 1967, que Márcio Greyck gravou seu primeiro compacto simples com uma versão de Eleanor Rigby “Minha Menina” de Lennon e McCartney e também sua primeira composição “Venha Sorrindo” seguindo uma série de três Lp’s. Ao mesmo tempo assina contrato exclusivo com a TV Tupi, após ter se apresentado no famoso programa de Bibi Ferreira, dirigido por Péricles Leal e Roberto Jorge e passa a atuar em todos os programas musicais daquela emissora, inclusive apresentando o seu próprio programa (O mundo é dos jovens) ao lado de Sandra na extinta TV Tupi de São Paulo, cantando e gravando canções dos Beatles como:
Sempre vou te amar (wen i’m sixtie four) Ela me deixou chorando (Lucy in the sky with diamonds) Penny Lane, entre outras. O cinema também descobriu Márcio Greyck, que protagonizou juntamente com a cantora Adriana, o filme (Em ritmo jovem) com participações de Grande Otelo e Vanja Orico, e um outro, também longa metragem em cores logo depois, chamado (O amor em quatro tempos) onde ele interpreta um jovem sonhador da idade média. Em 1970, assina contrato com a então CBS, hoje Sony Music e grava o que seria o seu primeiro grande sucesso em vendas com a sua composição em parceria com seu irmão Cobel, chamada “Impossível acreditar que perdi você” alcançando então, uma vendagem de mais de 500 mil cópias, o que para a época em que o mercado de discos era ainda bem menor, foi considerado como um fenômeno de vendas, além de se manter em primeiríssimo lugar por mais de seis meses em todas as paradas pelo Brasil afora. Sucesso comprovado por inúmeros artistas de interpretações e estilos diversos que também a gravaram, tais como: Wilson Simonal, Rosana, Gilliard, Perla, Os Vips, João Mineiro e Marciano, Joelma, Agnaldo Rayol, Trio Esperança, Jerry Adriani, Fernando Mendes, Conjunto Lafaiete, Orquestra Caravelli da França, entre outros.
No ano seguinte, uma nova super dose de sucesso com a canção, “O mais importante é o verdadeiro amor”, também primeiro lugar em todas as paradas, e o mesmo acontecendo em seguida com “O infinito” “Quando me lembram você” e “Não sei onde te encontrar” que são sucessos simultâneos desta época em que Márcio Greyck, é um dos artistas que mais atuam na TV, em programas como: Silvio Santos, Chacrinha, Flávio Cavalcante, Bolinha, Raul Gil, Haroldo de Andrade, José Messias, Hebe Camargo, Gugu Liberato, Geração 80, Globo de ouro, Fantástico, entre outros. Márcio Greyck tem duas de suas composições gravadas por Roberto Carlos “Tentativa” e “Vivendo por viver” que recentemente, foi também gravada por Zezé di Camargo e Luciano com grande sucesso e também pelo Trio Irakitan e Sérgio Reis, sendo ainda lançada na Itália, pela Universal Music como “Vivendo per vivere” em um CD gravado pelo cantor Ralf, com o titulo de “Musicas Brasilianas”. Erasmo Carlos gravou “Até quando?”. Agnaldo Timóteo e Verônica Sabino, também estão entre outros, que gravaram canções de sua autoria.
Em 1981, o cantor Márcio Greyck volta aos estúdios e grava “Aparências” de (Cury e Fatha) que se torna um novo e grande sucesso em vendas no mundo do disco, lançado também em espanhol em quase todos os países do idioma e também em Portugal.

O sucesso de “Aparências” atravessou as fronteiras do Brasil sendo lançada em vários países, e inclusive gravada também, pela orquestra de Ray Conniff que a gravou em uma seleção de canções latinas, com aquele seu inconfundível e famoso estilo.
Márcio Greyck torna se então aí, um artista internacional que lidera novamente as paradas de sucesso em todo o Brasil e segue estourando canções como:
“O travesseiro” “Honestamente” e “Reencontro”, essa que inclusive foi tema do par romântico da novela (Louco amor) da TV Globo. No ano de 1983, Márcio Greyck participa do 23º Festival Internacional de Vinã del Mar no Chile e ganha o troféu (Gaviota de Plata ) com a canção (Yo te agradezco) de Mauricio Dubocc e Carlos Colla e lança o seu primeiro Lp em espanhol para toda a América latina, por onde em seguida, viaja promovendo o disco e fazendo shows .
Em 84,… Ele para com tudo!!!
Totalmente desmotivado, se isola em seu sitio em Saquarema, e só recupera sua motivação em 1997, quando lança pelo selo Albatroz o CD (No tempo, no ar e no coração) que é também titulo de uma canção de sua autoria em parceria com Paulo Sérgio Valle, que resgata e atualiza seu repertório com a tecnologia e arranjos contemporâneos e volta aos programas de TV, rádio e etc. promovendo o lançamento e viajando por todo o país com sua nova Banda, após estréia no “Pálace” em São Paulo. Simultaneamente são lançados também no mercado, os CDs com as gravações originais remasterizados. Fábio Júnior, também gravou a canção “Impossível acreditar que perdi você” que foi tema da novela “A indomada” da TV Globo e que somada a recente regravação de Rita Ribeiro, produzida por Zeca Baleiro, como a nova revelação da nova MPB e também de Verônica Sabino, hoje passa de 50 as gravações desta mesma canção. Márcio Greyck foi então convidado pela TV Globo a gravar a trilha da “A indomada” em espanhol, para ser lançada em todos os países do idioma, em que for comercializada a novela. No primeiro semestre de 2001, Márcio Greyck, após apresentar seu show “No tempo, no ar e no coração” no teatro Don Silvério em Belo Horizonte, com sucesso absoluto, recebe das mãos do representante do ministro da cultura, o Troféu PRÓ-MÚSICA, como o compositor do ano 2000 em Minas Gerais, consagrando de vez a sua volta aos palcos da vida! Márcio Greyck também figura como compositor e produtor na trilha sonora da novela “Malhação” da TV Globo ano 2003, em parceria com o seu filho caçula “Bruno Miguel” que a interpreta, chamada “Faz assim” enquanto elabora um novo CD com canções inéditas, além de participar do CD “O pulo do gato” produzido por Gileno Azevedo cantando…“Uma palavra amiga” (sucesso de Roberto Carlos) em homenagem a um dos maiores compositores da jovem guarda, o Getúlio Cortes.
Márcio Greyck recebeu recentemente das mãos de Silvio Santos a coroa de prata no programa “Rei Majestade” do SBT. Atualmente, resgata a sua cidadania vivendo em Belo Horizonte, de onde sai eventualmente para atender aos inúmeros convites para se apresentar com sua banda, levando o seu show…“No tempo, no ar e no coração” por todo o Brasil, cantando e revivendo os seus grandes sucessos!

M greyck produções culturais
Tel: (0xx) 31- 34884416 telefax: (0xx) 31- 34862038
SITE – http://www.marciogreyck.com.br

Extraia o sumo: Marcio Greyck – 20 Super Sucessos

Faixas:
Aparências
O Travesseiro
Vivendo por Viver
Impossível Acreditar que Perdi Você
O Apartamento
Eu Preciso de Você
Páginas
O Mais Importante É o Verdadeiro Amor
Onde Está o Céu Azul
Quando Me Lembram Você
Honestamente
Não Sei Onde Te Encontrar
Infinito
Faz Tanto Tempo
Onde Anda o Teu Sorriso?
Foi Você
O Verde Está Diferente
Eu Só Quero Amor
Como É Triste Dizer Boa Noite
Tudo o que Eu Preciso É Ter o Seu Amor
*****************************************************************************
Hoje me sinto cansado,
meu corpo sem energia;
Jesus pintou meu cabelo
no final da boemia,
e esqueceu de perguntar
qual era a cor que eu queria!
(João Paraibano/PB)

Tuesday, August 21, 2007

Ticuqueiros – Dos canaviais da zona da mata [2007]


Da Zona da Mata Norte de Pernambuco vem os TICUQUEIROS, que turbina com instrumentos elétricos, cocos, cirandas, sambadas de maracatu e forró pé-de-serra. A região concentra manifestações populares de infinita riqueza musical, que se apresentam no cotidiano intenso de trabalho dos “ticuqueiros” – os trabalhadores da cana-de-açúcar.
A banda TICUQUEIROS formou-se em Nazaré da Mata, envolta na multiplicidade de cores e sons das brincadeiras da região. A música que produzem é resultado da fusão das referências musicais de seus integrantes – grooves de bateria, instrumentos de sopro e eletrônicos com o som rústico das brincadeira da zona rural. O grupo expressa de maneira inusitada e atual a simplicidade tradicional do universo sonoro de onde vem.
O Show do TICUQUEIROS transmite a energia da enxada batida em trilho de trem de manhã bem cedo, o ritmo intenso do corte da cana e o balanço frenético dos caboclos de lança do maracatu. As tradicionais festas do interior são revisitadas nos shows, que fazem dançar homi, minino e mulhé! É ouvir e se guiar.
Praticamente todos os integrantes da banda participaram ou participam de cirandas, cocos, blocos rurais, bandas de rock, jazz e música de câmara. Ou seja, tudo que o grupo engloba em seu trabalho. Procurando sempre manter a sonoridade primitiva de cada instrumento.

extria o sumo – download Ticuqueiros – Dos canaviais da zona da mata [2007]
faixas

1 – Ticuqueiros
2 – Soldado de aldeia
3 – Pimenteira velha
4 – Cantador mestre
5 -Lá no engenho
6 – Choro do meu amor
7 – O filme
8 – Noventa
9 – Serra verde
10 – Casarão
11 – Longa jornada
12 – Cambinda brasileira
13 – Samba de maracatu
14 – Meu cordão
15 – Embarcação

*cedido por leandro.

Comadre Fulozinha – Tocar na banda[2003]

Três mudanças importantes ocorreram entre o primeiro e o segundo disco deste grupo formado em 1997. Para começar, o nome: Florzinha transformou-se em Fulozinha. A seguir, a formação: de sexteto, reduziu-se à dupla de cantoras percussionistas Karina Buhr e Isaar de França. Por fim, o repertório. Em Comadre Florzinha (1999), predominavam músicas de domínio público, enquanto neste Tocar Na Banda, investe-se principalmente em material original. Contudo, o som em si não se alterou. Permanece naïve e fincado nos ritmos populares do Nordeste.

Das quatorze faixas, entre vocais e instrumentais, Karina Buhr assina seis e Isaar de França, duas. Há ainda “Obá”, de Erasto Vasconcelos (Eddie); “É Ou Não É”, da dupla Venâncio e Corumba e a excepcional versão de um clássico do paulistano Adoniran Barbosa, que termina por dar título ao disco. Essa faixa, sem dúvida a melhor do trabalho, é interpretada pelas comadres com deliciosa ironia: “Tocar na banda / Pra ganhar o quê? / Duas mariolas e um cigarro Iolanda”.

Competentes tanto na percussão quanto na voz, Karina e Isaar são diametralmente opostas. Por isso complementam-se, tanto no plano visual – sim, o visual é importante – quanto no musical. De outra forma, o resultado poderia até ficar maçante, especialmente para quem não é chegado à música de raiz. Isaar tem voz crua, de gueto, aguda e potente mas algo insegura; Karina é suave e treinada, preferindo os registros médios. As diferenças entre elas são especialmente notáveis em “Amaralina” e “A Cidade Tá Subindo”, solos de Karina e Isaar, respectivamente.

O problema – não para nós mas para elas – é justamente o alcance limitado do Comadre Fulozinha. O grupo é uma idéia heróica, principalmente quando se resume à uma dupla. Não há como escapar do fato de que a música delas, com um molde extremamente rígido, só atinge a um público muito pequeno e não há o que se possa fazer em relação a isso. Se elas estiverem satisfeitas com duas mariolas e um cigarro Iolanda, ótimo; mas não parece que elas tenham escolhido regravar essa pérola do Adoniran por acaso.

O talento das duas é inegável. Ainda por cima, ambas têm experiência com uma música mais, digamos, pop. Karina Buhr já foi integrante do Eddie; Isaar é a voz central do projeto Orchestra Santa Massa, de DJ Dolores. Então, por que todo esse purismo ariano, por que não ousar, olhar para a frente – que atrás já tem muita gente – colocar um pouco mais de harmonia no som, um pouquinho de eletrônica… deixar a coisa mais contemporânea? Por que não explorar também o visual, já que são duas mulheres bonitas? As possibilidades para elas são inúmeras e o grupo só teria a lucrar, se tentasse.

Resenha publicada no site Le Mangue – Março/2004
extraia o sumo – download Comadre Florzinha – Tocar na banda[2003]

1. Obá (Erasto Vasconcelos)
2. Sibito Baleado (Karina Buhr)
3. Tocar na Banda (Adoniran Barbosa)
4. Se o Mal (Karina Buhr)
5. Iá (Karina Buhr)
6. Zumba (Karina Buhr)
7. Gaitinha (Isaar de França)
8. É ou não é (Corumba/Venâncio)
9. Merengue pra Jesus (Alessandra Leão/Mavi)
10. Clarineto (Lourinho)
11. Eu também sei atirar (domínio público)
12. Amaralina (Karina Buhr)
13. Chumbo de vidro (Karina Buhr)
14. A cidade tá subindo (Isaar de França)

*fonte: canto e encanto

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